10
de Junho: Relevância dada a Camões, criticada pelo
coordenador dos programas do ensino básico
Lisboa, 09 jun (Lusa) – O
coordenador dos novos programas do ensino básico considera
que Camões devia ter maior relevo nos estudos dos jovens,
queixando-se de demasiada concorrência de outros autores e
criticando a falta de preparação dos professores para
abordar o poeta.
“Talvez devesse ser dado a
Camões um outro realce não apenas quantitativamente mas
também qualitativamente”, defendeu à Lusa Carlos Reis,
referindo que o poeta tem, no ensino básico, “a
representação possível”.
Ressalvando haver diferenças naturais entre “os programas
de ensino básico”, os do “ensino secundário, onde a
presença de Camões tem uma outra dimensão dada a idade dos
alunos e a sua possível orientação vocacional para as
Humanidades” e ainda “os novos programas do ensino básico”,
Carlos Reis garantiu que Camões tem sempre “uma
representação natural que é a possível dentro das lógicas
dos programas”.
Ainda assim, o professor considera que existe “uma
excessiva concorrência” de outros autores que, “às vezes,
não acrescentam nada de novo à formação literária dos
jovens estudantes”.
O estudo de Camões é ainda prejudicado pela falta de
preparação dos professores, critica Carlos Reis.
“Temo, por aquilo que conheço, que a preparação dos
professores não corresponda ao que são as exigências de um
autor como Camões”, afirmou, explicando que é preciso
“fazer uma mediação pedagógica hábil, ponderada e
esclarecida de um autor complexo para jovens na faixa dos
15, 16 ou 17 anos”.
A crítica é “ainda mais veemente” quando se trata dos
manuais escolares.
Para o coordenador do ensino básico (da primeira classe ao
nono ano), existe “uma espécie de proliferação de
componentes multimédia, de imagens, de CD, de DVD, de
diagramas e de gráficos” que pode “acabar em prejuízo
efetivo da leitura”.
Estes métodos provocam, no entender de Carlos Reis, uma
“infantilização do estudante” e são uma forma de “não
complicar nem exigir, nem perturbar muito a tranquilidade
do estudante”.
PMC.
Lusa/Fim