10 de Junho: Ler Camões ajuda a enfrentar a adversidade - Vasco Graça Moura
Lisboa, 09 jun (Lusa) – O poeta Vasco Graça Moura sustenta que ler Luís de Camões na altura de crise que Portugal atravessa ajuda a enfrentar a adversidade e “só pode ser compensador, sem negar a dimensão de autoestima”.
“Ler Camões é mergulhar no que a nossa língua tem de mais belo e mais profundo e, portanto, é enriquecer o nosso conhecimento e utilização da língua que é também um instrumento importante para fazer face aos problemas”, afirmou o poeta, na véspera do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades.
O autor de “Os Nossos Tristes Assuntos” defende que “toda a obra de arte nos ajuda a enfrentar qualquer dificuldade”.
Graça Moura afirma que em “Os Lusíadas” há “uma dimensão de desbravamento do mundo, de abertura, de pontes e criação de contactos entre as diversas partes, de conhecimento do ser humano, de riqueza antropológica, da variedade, que Camões chama numa canção ‘Céus vários, qualidades diferentes’, que só podem ser compensadores num momento como este”.
Questões que “permitem-nos compreender melhor o que nos rodeia e percebermo-nos a nós mesmos”, advogou.
Por outro lado, referiu, “não podemos negar que há um dimensão de autoestima e afirmação de identidade”.
O autor de criticou o facto de Camões “estar reduzido a 0,0 nos programas escolares” o que se deve, no seu entender, “à evolução criminosa dos programas escolares”.
Graça Moura sustentou que “quem penou a dividir as orações de ‘Os Lusíadas’ hoje trabalha melhor a língua”, acusando os programas escolares de “facilitismo, o que se faz sentir de uma forma dramática na disciplina de Português”.
O escritor alertou para a necessidade de uma edição crítica de “Os Lusíadas”, que apontou como “o nosso poema nacional”.
Para Graça Moura, esta é uma tarefa “que os investigadores devem pensar, trabalhá-la em equipa, aceitarem correr riscos e envolvendo a Academia de Ciências de Lisboa, que de resto tem esse projeto há muito tempo e conta com algum trabalho produzido”.
Esse projeto “deverá ser incentivado, apoiado” pelo Governo, disse Graça Moura.
Luís Vaz de Camões nasceu em data e local e incerto, sendo mais certos os poemas que escreveu entre eles “Os Lusíadas” (1572) que dedicou ao Rei D. Sebastião, além de sonetos, canções, redondilhas e peças de teatro.
Foram publicados “Rimas” (1595), “El-Rei Seleuco” (1587), “Auto de Filodemo” (1587) e “Anfitriões” (1587).
Um documento datado de 1550 que o dá como alistado para Índia afirma que é “escudeiro [de] 25 anos” e filho de “Simão Vaz e Ana de Sá, moradores em Lisboa, na Mouraria”.
Terá falecido em Lisboa no dia 10 de junho de 1580 e deixado escrito numa carta “Morro com a Pátria”, aludindo à perda da independência nacional, quando o Reino de Portugal passou a integrar a Coroa de Espanha.
A frase foi encontrada num fragmento cuja autenticidade é atestada por vários especialistas em Camões, denominados camonistas, entre eles, Vítor Aguiar e Silva que o confirmou à Lusa.
Simbolicamente, o que se pensa ser os restos mortais do lírico encontram-se atualmente no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, num mausoléu.
NL.
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